domingo, 22 de fevereiro de 2026

EMÍLIO GUIMARÃES MOURA - Súplica


Porque chamais: Senhor, Senhor... e não fazeis o que eu digo? (Lc. 6,46)

Os inquietos, os loucos, os que ainda não Te descobriram, e os que nada compreendem, 

os que pararam, e os que jamais tentaram a grande jornada,

todos eles, Senhor, estão comigo neste momento.

 

Comigo estão todos os que perderam a grande partida.

Comigo estão, Senhor, todos os que Te deixaram,

e os que não souberam buscar-Te. 

Comigo estão os que não Te amam, nem Te compreendem,

os que Te negam, porque são felizes,

e os que Te negam, porque são infelizes.

Senhor, todos eles estão, agora, em minha insônia e em minha desolação,

           [como a presença da morte está na máscara dos que nada esperam.

 Mata-os em mim, Senhor.


MOURA, Emílio. Suplica. In: Itinerário Poético -Poemas Reunidos. Belo Horizonte:UFMG, 2002, p. 75.

Os inquietos, os loucos, os que ainda não Te descobriram, e os que nada compreendem, os que pararam, e os que jamais tentaram a grande jornada, todos eles, Senhor, estão comigo neste momento.
Os inquietos, os loucos, os que ainda não Te descobriram, e os que nada compreendem, os que pararam, e os que jamais tentaram a grande jornada, todos eles, Senhor, estão comigo neste momento. Comigo estão todos os que perderam a grande partida. Comigo estão, Senhor, todos os que Te deixaram, e os que não souberam buscar-Te. Comigo estão os que não Te amam, nem Te compreendem, os que Te negam, porque são felizes, e os que Te negam, porque são infelizes. Senhor, todos eles estão, agora, em minha insônia e em minha desolação, como a presença da morte está na máscara dos que nada esperam. Mata-os em mim, Senhor.
Porque chamais: Senhor, Senhor... e não fazeis o que eu digo? (Lc. 6,46) Os inquietos, os loucos, os que ainda não Te descobriram, e os que nada compreendem, os que pararam, e os que jamais tentaram a grande jornada, todos eles, Senhor, estão comigo neste momento. Comigo estão todos os que perderam a grande partida. Comigo estão, Senhor, todos os que Te deixaram, e os que não souberam buscar-Te. Comigo estão os que não Te amam, nem Te compreendem, os que Te negam, porque são felizes, e os que Te negam, porque são infelizes. Senhor, todos eles estão, agora, em minha insônia e em minha desolação, como a presença da morte está na máscara dos que nada esperam. Mata-os em mim, Senhor.
Os inquietos, os loucos, os que ainda não Te descobriram, e os que nada compreendem, os que pararam, e os que jamais tentaram a grande jornada, todos eles, Senhor, estão comigo neste momento. Comigo estão todos os que perderam a grande partida. Comigo estão, Senhor, todos os que Te deixaram, e os que não souberam buscar-Te. Comigo estão os que não Te amam, nem Te compreendem, os que Te negam, porque são felizes, e os que Te negam, porque são infelizes. Senhor, todos eles estão, agora, em minha insônia e em minha desolação, como a presença da morte está na máscara dos que nada esperam. Mata-os em mim, Senhor.

domingo, 1 de fevereiro de 2026

ARIANO SUASSUNA - A morte - o sol do terrível



    • Mas eu enfrentarei o Sol divino,
    • o Olhar sagrado em que a Pantera arde.
    • Saberei porque a teia do Destino
    • não houve quem cortasse ou desatasse.

    • Não serei orgulhoso nem covarde,
    • que o sangue se rebela ao toque e ao Sino.
    • Verei feita em topázio a luz da Tarde,
    • pedra do Sono e cetro do Assassino. 

    •  Ela virá, Mulher, afiando as asas, 
    • com os dentes de cristal, feitos de brasas, 
    • e há de sagrar-me a vista o Gavião.

    • Mas sei, também, que só assim verei 
    • a coroa da Chama e Deus, meu Rei, 
    • assentado em seu trono do Sertão.


PEDRO ABRUNHOSA - Balada de Gisberta Sauce Junior





Perdi-me do nome

Hoje podes chamar-me de tua

Dancei em palácios

Hoje, danço na rua

Vesti-me de sonhos

Hoje, visto as bermas da estrada

De que serve voltar

Quando se volta pro nada?


Eu não sei se um anjo me chama

Eu não sei dos mil homens na cama, e o céu não pode esperar

Eu não sei se a noite me leva

Não ouço o meu grito na treva

O fim quer me buscar


Sambei na avenida

No escuro, fui porta-estandarte

Apagaram-se as luzes

É o futuro que parte

Escrevi um desejo

Corações que já esqueci

Com sedas matei e com ferros morri


Eu não sei se um anjo me chama

Eu não sei de mil homens na cama, e o céu não pode esperar

Eu não sei se a noite me leva

Eu não ouço o meu grito na treva, e o fim quer me buscar


Trouxe pouco

Levo menos

A distância até o fundo é tão pequena

No fundo, é tão pequena

A queda


E o amor

É tão longe

O amor é tão longe

O amor é tão longe

O amor é tão longe


Composição: Pedro Abrunhosa