domingo, 25 de janeiro de 2026

ARTHUR IGNATIUS CONAN DOYLE - Sherlock Homes




- Meu querido amigo - disse Sherlock Homes quando estávamos sentados diante da lareira em seus aposentos na Baker Street - , a vida é mais estranha do que qualquer fantasia imaginada pelo homem. Jamais pensaríamos em coisas que são lugares-comuns da existência. Se pudéssemos voar por aquela janela de mãos dadas, flutuar sobre esta grande cidade, remover os telhados e espiar as coisas estranhas que acontecem, as coincidências, os planos, os objetivos divergentes, as maravilhas linhas de acontecimentos agindo pelas gerações e levando aos resultados mais absurdos, isso tornaria toda a ficção, com suas conclusões óbvias, corriqueira e sem importância. [...] Pode acreditar, não há nada mais anormal que o corriqueiro.


Doyle, Arthur Conan. As aventuras de Sherlock Holmes. Tradução de Thiago Sagardoy. São Paulo: Hunter Books, 2016, p. 109-110. (vol. 1)

sábado, 17 de janeiro de 2026

CECÍLIA MEIRELES - Poema 32 de Metal Rosicler (Homenagem à Fernandinha Meireles)




Parecia que ia morrendo
sufocada.
Mas logo de seu peito vinha
uma trêmula cascata,
que aumentava, que aumentava
com borboletas de espuma
e fogo e prata.

Parecia que ia morrendo
de loucura.
Mas logo rápida movia
não sei que vaga porta escura
e, mais tênue que o sol e a lua,
passava entre fitas e rosas
sua figura.

Parecia que ia morrendo
em segredo.
Mas uma rumorosa vida
rugia mais que oceano ou vento
nas suas mãos em movimento.
Agarrava o tempo e o destino
com um ágil dedo.

Parecia que ia morrendo
e revivia.
E girava saias imensas,
maiores do que a noite e o dia.
Rouca, delirante, aguerrida,
pisando a morte e os maus agouros,
“olé!” – dizia.

MEIRELES, Cecília.  Obra Poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1987, p. 697.

Homenagem à Fernandinha Meireles (1956-2025)