domingo, 1 de fevereiro de 2026

ARIANO SUASSUNA - A morte - o sol do terrível



    • Mas eu enfrentarei o Sol divino,
    • o Olhar sagrado em que a Pantera arde.
    • Saberei porque a teia do Destino
    • não houve quem cortasse ou desatasse.

    • Não serei orgulhoso nem covarde,
    • que o sangue se rebela ao toque e ao Sino.
    • Verei feita em topázio a luz da Tarde,
    • pedra do Sono e cetro do Assassino. 

    •  Ela virá, Mulher, afiando as asas, 
    • com os dentes de cristal, feitos de brasas, 
    • e há de sagrar-me a vista o Gavião.

    • Mas sei, também, que só assim verei 
    • a coroa da Chama e Deus, meu Rei, 
    • assentado em seu trono do Sertão.


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