quinta-feira, 18 de junho de 2026

RITA LEE - Coisas da vida



Quando a Lua apareceu

Ninguém sonhava mais do que eu

Já era tarde

Mas a noite é uma criança distraída


Depois que eu envelhecer

Ninguém precisa mais me dizer

Como é estranho ser humano

Nessas horas de partida


É o fim da picada

Depois da estrada, começa uma grande avenida

No fim da avenida

Existe uma chance, uma sorte, uma nova saída

São coisas da vida

E a gente se olha e não sabe se vai ou se fica


Qual é a moral?

Qual vai ser o final

Dessa história?


Eu não tenho nada pra dizer

Por isso eu digo

Eu não tenho muito o que perder

Por isso jogo

Eu não tenho hora pra morrer

Por isso sonho


Ah, são coisas da vida

E a gente se olha e não sabe se vai ou se fica

Ah, são coisas da vida

E a gente se olha e não sabe se vai ou se fica


Ah, são coisas da vida

E a gente se olha e não sabe se vai ou se fica

Ah, são coisas da vida

E a gente se olha e não sabe se vai ou se fica


No disco Entradas e Bandeiras (1976)

Delvanir Lopes - Arauto

 


ARAUTO

 

 

Tenho os olhos abertos, mas me permita ver.

Tenho os ouvidos limpos, mas me permita escutar.

Tenho a mente lúcida, mas me permita entender.

Tenho os lábios abertos, mas me permita falar.

 

Quero ver além do que o olhar alcança,

discernir os sons do mundo desordenado,

compreender o que já parece óbvio,

deixar as palavras tortas e anunciar

o dia de hoje como limite do possível.

 

Inunda-me para que eu seja teu arauto.

 Inspirado no Salmo 51,17

Do livro Lex Vitae, de Delvanir Lopes (no prelo)