quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

SÚPLICA - Miguel Torga (Adolfo Correa da Rocha)

 




SÚPLICA

Agora que o silêncio é um mar sem ondas,

E que nele posso navegar sem rumo,

Não respondas

Às urgentes perguntas

Que te fiz.

Deixa-me ser feliz

Assim,

Já tão longe de ti, como de mim.


Perde-se a vida, a desejá-la tanto.

Só soubemos sofrer, enquanto

O nosso amor

Durou.

Mas o tempo passou,

Há calmaria...

Não perturbes a paz que me foi dada.

Ouvir de novo a tua voz, seria

Matar a sede com água salgada.


TORGA, Miguel. In: Câmara Ardente. Coimbra Editora, 1962. 

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