Cidade sobre
pedras
Itápolis, nome que a terra
pronuncia,
feito de pedras antigas que
sustentam o tempo
e guardam no silêncio a sua origem.
“Aqui sobre esta pedra, áspera, e
dura,
Teu nome hei de estampar”.
Cidade das pedras,
caminhos construídos sobre a
rocha
transformada em chão habitável.
Terra fértil
em que “se plantando tudo dá”.
União de raças e forças -
italianos, árabes, japoneses,
portugueses, judeus, espanhóis –
que cultivam os pomares,
os cafezais,
nomeiam os rios e as ruas,
criam e movimentam a história.
Entre o calor e trabalho,
recordação do gelato
vêneto,
dos laranjais sicilianos,
da fé e costumes lusitanos,
da arte de vender e comprar
coisas.
A memória das famílias,
passadas de coração em coração,
de mão em mão.
Na pólis construída sobre
as rochas
as pedras não pesam, sustentam,
o passado não prende, ensina.
E a cidade segue viva,
entre sabores, histórias e braços
abertos.
LOPES, Delvanir (2025)
